OS ALTOS CUSTOS DE GERAÇÃO DE ANGRA 2

A usina nuclear Angra 2, em Angra dos Reis (RJ), com início de operações previsto para dezembro de 1998, terá um custo de geração estimado em US$162 por megawatt/hora (MWh), quase cinco vezes o valor do custo marginal de expansão (o custo médio do MWh a ser gerado pelos novos projetos do setor elétrico), de US$34/MWh. Entre os 17 novos projetos de geração previstos para o período de 1994/2003, Angra 2 apresenta o custo de geração mais alto, mais de duas vezes superior aos US$75 por MWh a ser gerado pela termelétrica de Jacuí, a segunda geração mais cara prevista para o período. Esses dados constam do Plano Decenal de Expansão 1994/2003 do Setor Elétrico da ELETROBRÁS, que traça o planejamento estratégico do setor para os próximos 10 anos. O valor previsto para a geração de Angra 2, que deverá ter 1.309 MW de potência, já embute os juros financeiros das obras da usina, que se iniciaram em 1977 e desde 1980 vêm sendo tocadas em um ritmo bastante lento. Neste momento, está sendo analisada a possibilidade de retomada das obras de Angra 2. Em uma exposição de motivos datada de 10 de novembro de 1991, o presidente Itamar Franco recomendou que a construção de Angra 2 deveria ser retomada durante o seu governo. Até o momento, segundo os números do plano decenal, já foram investidos em Angra 2 US$5,246 bilhões, restando investir para a conclusão das obras US$2,023 bilhões-- sem considerar os juros financeiros (GM).