Mais de um milhão de domicílios brasileiros estão localizados nas 3.223 favelas do país, o que representa uma aglomeração mínima de quatro milhões de habitantes, se cada domicílio for habitado por quatro pessoas. A revelação consta de pesquisa da geógrafa Helena Maria Mesquita Balassiano, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As regiões metropolitanas têm 75% das favelas, das quais 64% localizadas no eixo Rio de Janeiro-São Paulo. A capital paulista lidera o número de favelas (1.257) em relação ao Rio (661), mas perde em quantidade de domicílios. No Rio, existem 235.572 moradias nas favelas, e em São Paulo esse número cai para 205.521. De acordo com o estudo, apenas no Acre, Roraima e Mato Grosso não foi verificada a existência de favelas, que se constituem, para efeito técnico, de aglomerados com mais de 51 domicílios em regime de ocupação. Segundo a geógrafa, entre as regiões, o fenômeno da favelização se apresenta de maneira bastante diferenciada. Em Belém (PA), por exemplo, 74% das favelas estão no centro e apenas 26% na periferia. O Nordeste registra forte presença de aglomerados fora de suas regiões metropolitanas, enquanto nas regiões Sul-Sudeste esta concentração ocorre em torno de indústrias e locais de grande fluxo de transporte urbano. O estudo mostra que as favelas apresentam concentração de todos os efeitos ambientais nocivos, resultantes do processo de metropolização, como devastação e erosão, que provocam desmoronamentos e inundações. Já a precariedade do esgotamento sanitário e do abastecimento de água, assim como a falta de coleta de lixo domiciliar, contribuem para o comprometimento da saúde dos moradores das favelas. Em São Paulo, 75% das favelas não têm rede de esgoto e cerca de 30% não tem abastecimento de água. O quadro é um dos melhores do país, pos nos Estados de Minas Gerais, Santa Catarina, Bahia, Pernambuco, Pará e Distrito Federal as favelas não têm esgotos. No Espírito Santo, Rondônia, Tocantins e Sergipe os moradores de favelas não contam com abastecimento de água. O estudo é parte do documento Geografia e Questão Ambiental, que revela ainda que a poluição industrial é o que mais afeta o Sudeste e o maior problema do Norte é o desmatamento, que também atinge o Estado do Mato Grosso, onde nos últimos nove anos, 15% da região foi devastada para que as áreas fossem incorporadas ao plantio. A questão social do saneamento é analisada em relação ao Nordeste, com a constatação de que um em cada dois domicílios não abastecido por água de rede geral. Outro dado revela que metade dos estabelecimentos agropecuários com mais de 10 mil hectares está na Amazônia (JC).