NÚMERO DE ASSASSINATOS DE ÍNDIOS DUPLICOU EM 1993

Quarenta e três índios brasileiros foram assassinados no ano passado, quase o dobro de 1992; 85 mil foram vítimas de tentativas de homicídios e mais de sete mil submetidos a trabalho escravo. Os dados constam do relatório "A violência contra os povos indígenas no Brasil em 1993", divulgado ontem pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI). O documento faz duras críticas ao governo federal, acusado de omisso por não determinar a demarcação de terras indígenas. O aumento no número de assassinatos ocorreu em função do massacre de 16 yanomamis por garimpeiros, em julho do ano passado. O presidente do CIMI, dom Aparecido José Dias, disse que em nenhum outro relatório houve tantos casos de abusos de poder policial. No ano passado, foram 29 lesões corporais e 18 prisões ilegais de índios. Pela primeira vez, o relatório mostrou casos de trabalho em condições análogas à de escravo, que envolveram 7.470 índios, a maioria Guarani Kaiowá e Guarani Nhandeva, que trabalham em carvoarias e destilarias de álcool no Mato Grosso do Sul. O relatório registra ainda o furto de madeira em 26 áreas indígenas. Além de cooptar as lideranças, os madeireiros têm armado índios para
79334 garantir a retirada de madeira, diz o documento. A violência contra o índio está se tornando tão rotineira, que corre o
79334 risco de ser banalizada, alertou o presidente do CIMI (JC).