O procurador-geral da República, Aristides Junqueira, entregou ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) as alegações finais de acusação contra o ex-presidente Fernando Collor de Mello e Paulo César Farias, o PC. Nas alegações, são apontadas como provas de corrupção o envolvimento dos dois nos casos VASP, Tratex e no do ex-deputado Sebastião Curió. Os advogados de Collor, PC e de outros sete envolvidos terão agora 15 dias para apresentar defesa. A principal prova contra Collor sobre o seu envolvimento no esquema de tráfico de influência montado por PC em seu governo é o financiamento da campanha de Curió para deputado federal no Pará. Em depoimento à Polícia Federal, Curió disse ter procurado Collor, que lhe prometeu ajuda para a campanha, através de um emissário-- PC. PC, por sua vez, mandou que Curió procurasse a direção da Mercedes-Benz do Brasil, junto à qual o ex-deputado conseguiu US$100 mil. As alegações de Junqueira apontam também a influência do ex-tesoureiro de campanha de Collor na nomeação de pessoas para o segundo escalão do governo. Nas alegações, Junqueira considera também como prova do esquema de tráfico de influência montado por PC no governo Collor o Fiat Elba comprado por "fantasmas" de PC e registrado em nome do ex-presidente (O Globo).