ARGENTINA: PARTIDO JUSTICIALISTA VENCE ELEIÇÕES

O Partido Justicialista (peronista) do presidente Carlos Menem venceu as eleições do último dia 10 para a Constituinte argentina, obtendo 37,7% dos votos, mas dependerá da União Cívica Radical, do ex-presidente Raúl Alfonsín, que conseguiu 19,8% para formar maioria e reformar a Constituição de 1835, permitindo a Menem concorrer à reeleição. O fraco resultado da UCR deve aprofundar a crise interna do partido, aberta desde que Alfonsín aceitou a proposta de reforma constitucional de Menem no Pacto de Olivos, em dezembro. Os radicais acusam Alfonsín de querer, com o acordo, assumir novamente um papel destacado na política argentina, tentando consolidar sua posição de sucessor ao segundo mandato de Menem. Em sua defesa, tentando atenuar sua derrota política, o ex-presidente chegou a admitir que os peronistas conseguiriam reformar a Constituição com ou sem a aprovação dos radicais. Com um discurso de oposição ao pacto, combate à corrupção e implementação de projetos sociais, A Frente Grande, um agrupamento de peronistas dissidentes e socialistas, foi a grande surpresa da eleição, vencendo em Buenos Aires, com 37,5% dos votos, e na província de Neuquén, e emergindo como força alternativa aos peronistas e à UCR. Em todo o país, a FG obteve 16% dos votos. Um de seus principais líderes, o cineasta Fernando Solanas, afirmou que a formação da Frente foi uma resposta à guinada do peronismo para a direita. Já o nacionalista Movimento de Dignidade Nacional (Modin), encabeçado pelo ex-tenente-coronel cara-pintada Aldo Rico obteve 8% dos votos. Os peronistas ocuparão 139 das 305 cadeiras da Assembléia Constituinte. Somandos aos 74 votos dos constituintes da UCR, os peronistas devem aprovar com facilidade o projeto constitucional do Pacto de Olivos que, além de proporcionar a Menem o direito de se reeleger, reduzirá drasticamente os poderes do hoje forte presidencialismo argentino (O ESP).