BID AMPLIA CAPITAL PARA US$100 BILHÕES

A 35a. Assembléia Anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) começou ontem, em Guadalajara (México), com uma advertência: as necessidades sociais dos países da América Latina e Caribe não podem mais ser adiadas. Após constatar que a região, em 1993, apresentou um crescimento médio de 3,3%-- um dos maiores do mundo--, o presidente do BID, Enrique Iglesias, destacou a necessidade de se resgatar a dívida social latino-americana e promover, por meio de investimentos em infra- estrutura e educação, a redistribuição da riqueza e do fabuloso fluxo de capital internacional que tem rumado para os países da América Latina. Diante de três mil representantes, Iglesias afirmou que a economia do continente cresce graças aos ajustes macroeconômicos que a maioria dos países vem adotando. "Com raras exceções", disse, "a inflação deixou de ser um flagelo nas economias latino-americanas". E acrescentou: "Resta agora atacar por todos os lados os temas sociais-- desemprego, desnutrição, marginalidade-- que passam a ser o grande desafio da América Latina nos próximos anos". O primeiro dia de trabalhos, após uma maratona de negociações, foi aprovado o aumento de capital do organismo, que passará de US$60 bilhões para US$100 bilhões. Decidiu-se também que 5% dos US$6 bilhões da carteira de empréstimo do BID serão utilizados para financiamento direto de projetos de infra-estrutura realizados pela iniciativa privada, sem aval dos governos nacionais. O BID financiará até 25% do total dos custos dos projetos privados. Estradas e rodovias não serão a prioridade desse programa, mas sim projetos de alcance social comprovado, como redes de água potável, saneamento básico e escolas. Os governos não oferecerão garantias a esses projetos, mas o BID só os aprovará se os governos nacionais não se opuserem. Outra decisão foi a ampliação para cerca de US$1 bilhão do Fundo Especial de Operações, destinado a créditos de juro zero ou de até 3% anuais para os cinco países de menor crescimento relativo da América Latina e do Caribe (Bolívia, Nicarágua, Haiti, Guiana e Honduras). Confirmaram-se, também, as previsões de que o Japão ocupará uma décima terceira cadeira na diretoria do BID e que o Chile será o primeiro titular de uma décima quarta, concedida à América Latina (O ESP) (GM).