O salário-mínimo não deve ter um aumento real de 50% antes de dezembro, pois o setor público não poderia arcar com um mínimo de US$100 este ano, segundo disseram ontem os cinco ministros de Estado que fazem parte da comissão especial encarregada pelo presidente Itamar Franco de promover o crescimento da renda. O ministro interino do Trabalho, Mozart de Abreu, admitiu a necessidade de um prazo maior para o aumento do salário-mínimo, com a adoção, durante esse período, de políticas compensatórias. A comissão tem até o dia 1o. de maio para apresentar o relatório final ao presidente. Abreu disse que o salário-mínimo pode passar de 64,79 URVs (Unidades Reais de Valor) para cerca de 100 URVs em 20 ou 24 meses. "O compromisso do governo é aumentar em 50% a renda nacional até o final do ano", explicou o ministro, ao término da terceira reunião da comissão. Para compensar o não-crescimento real do mínimo, seriam adotadas políticas compensatórias para trabalhadores com esse patamar de rendimento. Os trabalhadores com baixos rendimentos (entre um e dois salários-mínimos) teriam direito a uma espécie de abono, mas que não seria repassado para os aposentados e pensionistas. Desta maneira, segundo o ministro interino do Trabalho, não haveria impacto sobre as contas da Previdência Social, que paga um mínimo a 11 milhões de segurados (O ESP) (FSP).