CNBB DEBATERÁ A SITUAÇÃO DOS EXCLUÍDOS

Os excluídos sociais serão o tema da Campanha da Fraternidade de 1995. A decisão ainda não é oficial, mas a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) já começou a distribuir documentos sobre o assunto, para debates internos. Conforme os textos, o modelo econômico do país está aprofundando as diferenças na sociedade e ameaçando a democracia. Para a CNBB, a democracia "só amadurece quando todos os cidadãos têm seus direitos de vida digna garantidos". Os números submetidos à análise dos bispos indicam que 64 milhões de brasileiros não têm renda para levar uma vida digna, com acesso a escolas, alimentação, moradia e saúde. Eles formam a massa que será tema da próxima Campanha da Fraternidade. O excluído social é, conforme os documentos da CNBB, o podre-- aquele que pode, por exemplo, ter dinheiro para comprar alimentos básicos e pagar o aluguel de uma casa, mas não consegue manter os filhos na escola. No caso da campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, coordenada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, falava-se em 32 milhões de miseráveis, aqueles cuja renda não permite comprar sequer alimentos. Os números-- 64 milhões da CNBB e 32 milhões do Betinho-- saíram do mesmo lugar, o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA). O que mais assusta a CNBB é a possibilidade de esse processo, chamado de apartação social, aprofundar-se, no rastro de uma tendência internacional. De acordo com um dos textos distribuídos aos bispos, as elites dirigentes de oligopólios econômico-financeiros já não estão interessadas em crescer pela incorporação de novas massas de consumidores. Elas preferem dinamizar e diversificar os produtos ofertados à população que já está no mercado. Em vez de quantidade, opta-se pela novidade e a qualidade (JC).