BRASIL SERÁ BENEFICIADO NO ACORDO DO GATT

As exportações de metais, produtos agrícolas, como café, chá, cacau e açúcar, e de óleos vegetais são as principais áreas em que o Brasil será beneficiado pelo acordo da Rodada Uruguai de liberação comercial que será assinado nesta semana em Marrakesh, no Marrocos. A conclusão é de um estudo do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), divulgado ontem, que estima um ganho anual de US$235 bilhões no comércio mundial, em 10 anos, e uma expansão de US$755 bilhões de mercadorias com o novo acordo. O estudo do GATT faz pela primeira vez um balanço detalhado da Rodada Uruguai, baseado nas ofertas efetivas de reduções de tarifas concluídas no último dia 15 de março. As conclusões gerais são bastante positivas, embora, como tenha lembrado ontem o diretor-geral do GATT, Peter Sutherland, a assinatura da Rodada seja apenas "o fim do começo", já que sua implementação depende da cooperação entre os 123 países participantes por um período que vai, em alguns casos como o dos têxteis, até os próximos 10 anos. A conta global sobre o ganho da renda mundial com a Rodada a partir do ano 2005, quando todos os acertos específicos estiverem concluídos, é mais otimista do que um estudo anterior do Banco Mundial (BIRD)-- ganho de US$213 bilhões ao ano a partir de 2003-- e mais pessimista do que o da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE)-- US$274 bilhões a partir de 2002. É, de todo modo, o mais acurado por trabalhar com os resultados finais para tarifas de bens. Todos eles, de todo modo, subestimam o impacto real, já que nem tentam calcular qual o impacto da abertura do setor de serviços (GM).