PADRE PORTADOR DO VÍRUS DA AIDS DIZ QUE É DISCRIMINADO

Na noite do último dia cinco, a diretoria do Projeto Esperança, na zona oeste de São Paulo (capital), reuniu-se em assembléia e destituiu seu presidente. Era para ter sido uma reunião de rotina, numa das 30 organizações não-governamentais que atuam na área de apoio a doentes de AIDS em São Paulo. Mas não foi, devido às características do personagem central da história, o presidente deposto: ele é padre, portador do vírus HIV e afirma que foi destituído porque descobriu irregularidades no projeto e por ter revelado à diretoria sua condição de infectado. O sacerdote contraiu o vírus em relações sexuais e, num caso inédito nos meios eclesiásticos, assume isso publicamente. O seu nome é João Batista Monteiro. Tem 42 anos e tomou posse da presidência da entidade, vinculada à Igreja Católica, no dia 22 de março. Começou a cair, segundo seu relato sobre os acontecimentos, uma semana depois, no dia 29, quando comunicou aos outros diretores que era soropositivo. A revelação teria ocorrido durante uma discussão sobre métodos de condução da casa de apoio do projeto, onde vivem 10 doentes de AIDS em estado terminal. Em certa altura da polêmica, o padre afirmou que era mais zeloso com os doentes pelo fato de ser também portador do vírus. Senti uma surpresa hipócrita, diz o sacerdote. Para o padre Monteiro, a discriminação que o atingiu foi agravada não so pelo fato de partir de pessoas que se dedicam ao tratamento de doentes, mas também porque o projeto é dirigido por católicos e assessorado pelo bispo da diocese regional da Lapa, zona oeste, dom Fernando Penteado. "O pior pecado é pregar a caridade e não viver de forma caridosa", observa (O ESP).