BICHO FINANCIAVA ENTRADA DE DROGAS PELO PARAGUAI

A Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro remeterá ao governo federal relatórios sobre a entrada de cocaína no Brasil, através do Paraguai, em operações que seriam financiadas pelos bicheiros do Rio de Janeiro. Este é um dos principais ramos da investigação iniciada com o estouro da fortaleza do bicheiro Castor de Andrade na semana passada. Da apuração já saíram centenas de nomes de pessoas e entidades que foram financiadas pelo bicho. O contraventor Waldemiro Garcia, o Miro, apontado como o mais rico de todos os bicheiros, é dono de um cassino em Ciudad del Este (cidade paraguaia na fronteira com Foz do Iguaçu-PR). Somente nas reformas de seu cassino foram investidos, há um ano, cerca de US$2 milhões, segundo cálculos de construtores paraguaios. Os relatórios obtidos pela polícia brasileira e que estão em poder dos promotores, informam que 60 aviões particulares, clandestinos, saem diariamente do Paraguai para o Brasil, trazendo drogas da Bolívia e da Colômbia. A maioria desses aviões pousa em São Paulo e, daí para o Rio de Janeiro, a droga é trazida em pequenas quatidades. Os promotores do Rio vão pedir que sejam feitas negociações junto ao governo paraguaio para uma maior fiscalização dos vôos de aviões de pequeno porte que partem em direção ao Brasil. O assunto é tratado com todo o sigilo, porque existem suspeitas de que autoridades do Paraguai estejam envolvidas nessas operações. As investigações indicam que além de cocaína, o aeroporto, que já esteve fechado, é usado também para o recebimento de contrabando de armas (O ESP).