Segundo estudos realizados na Bélgica, França, Finlândia, Holanda, Japão e EUA, o desmonte da usina nuclear Angra 1, em Angra dos Reis (RJ), deverá custar em torno de US$200 milhões (CR$19,7 bilhões), na época em que o trabalho for realizado-- ainda sem data prevista. A informação foi dada ontem pelo engenheiro nuclear Jair Albo Marques, da NUCLEN, que estuda o assunto. Segundo ele, este valor se refera ao projeto de desmontagem total da usina, fazendo com que o local ocupado pela unidade volte a ser como era em sua origem. Os EUA estão se preparando para desmontar uma usina, a Yankee, que entrou em operação no final da década de 50 e foi desativada no final de 1992, segundo o superintendente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Ayrton Cauby. A experiência norte-americana poderá servir como base para o Brasil, quando Angra 1 for paralisada definitivamente. Angra 1 já produziu 5.600 tambores de lixo atômico, o que equivale a cerca de mil toneladas de rejeitos, armazenados em um galpão no complexo nuclear de Angra. Cauby acha que Angra 1 ainda poderá operar mais 25 anos, mas na avaliação de técnicos de Furnas, a usina deverá ter mais 15 anos de vida. Caso opere até o ano 2019, Cauby disse que a usina deverá produzir mais duas mil toneladas de rejeitos. Desde 1985, quando entrou em operação comercial, Angra 1, conhecida como usina vaga-lume, já foi desligada mais de 30 vezes por defeitos em equipamentos, ações judiciais e troca de combustível. Em setembro de 1986, por exemplo, Angra 1 sofreu um vazamento de água radioativa em duas válvulas do circuito primário. A usina precisou ser desligada outras vezes, sendo a última no dia cinco de março de 1993, por problemas nas varetas do combustível (O ESP).