GOVERNADOR NEGA LIGAÇÃO COM O JOGO-DO-BICHO

O governador do Rio de Janeiro, Nilo Batista (PDT) acusou ontem o jornal "O Globo" de estar construindo uma realidade sobre o aparecimento de seu nome na lista do bicheiro Castor de Andrade. Ele garantiu aos deputados da bancada estadual do PSDB que não tirou proveito pessoal, nunca recebeu e nem teve contato com dinheiro do jogo-do-bicho. Segundo Nilo, até agora não foram confirmados os valores creditados em seu nome na lista da propina. Seu nome aparece quatro vezes na lista apreendida pelo Ministério Público. O governador sustenta que o seu envolvimento no caso está relacionado à intermediação de doação do bicho à Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA), solicitada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. A dúvida é que Betinho afirmou que a entidade recebeu US$40 mil, enquanto o nome de Nilo aparece como beneficiário de uma doação total correspondente a US$58 mil. O governador argumenta que a diferença se refere à taxa de conversão usada pelo jornal "O Globo". Segundo assessores próximos a Nilo, o governador não está disposto a elaborar respostas para cada nova "versão fantasiosa" da imprensa. Segundo os assessores, o surgimento do nome de Nilo pelo menos quatro vezes na lista de Castor refere-se à mesma quantia doada à ABIA. O ex-governador Leonel Brizola defendeu os parlamentares do PDT e os integrantes do governo do Rio citados no esquema de propinas do jogo-do- bicho. Segundo ele, "foi a lança de Leonel Brizola que lancetou este tumor. Isto não passa de uma vingança dos bicheiros. Querem atribuir a nós um esquema sujo, iniciado na ditadura militar e mantido pelo presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho, que nós tomamos a iniciativa de investigar, coisa que o governo Moreira Franco, por exemplo, jamais fez". Sobre o envolvimento do governador Nilo Batista, Brizola disse que "o Betinho já veio a público para esclarecer o episódio" (JC) (O Dia) (FSP).