GOVERNADOR DIZ QUE INTERMEDIOU DOAÇÃO

O governador do Rio de Janeiro, Nilo Batista (PDT), confirmou ontem que sugeriu ao sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, que pedisse aos bicheiros doações para a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA). Também confirmou ter intermediado o pedido junto aos bicheiros. Eu fiz uma boa ação, destacou Nilo, lembrando que na época ficou sensibilizado com o relato do sociólogo sobre a situação da ABIA, que estava com um déficit de US$70 mil e corria o risco de fechar. O governador não considerou crime o fato de ter intermediado a doação de dinheiro do jogo-do-bicho. Segundo ele, o dinheiro dos contraventores, em alguns casos, pode ser legal pelo fato de os banqueiros terem outras fontes de renda, além do jogo-do-bicho. Nilo disse que o dinheiro que ajudou a resolver a crise financeira da ABIA "limitou-se a uma transação entre privados e por uma causa humanitária". Segundo ele, "não vejo motivo para investigar esse caso porque foi uma coisa feita entre pessoas particulares: eu era particular e o Betinho era particular". "Esta doação foi uma doação privada, que não configura qualquer ilícito, e não é crime", afirmou, completando que, "na época, o jogo-do-bicho estava zerado com a lei". O governador enfatizou ainda que não postulou ou recebeu dinheiro do jogo-do-bicho para sua campanha, dizendo que isto seria uma incoerência diante de sua atuação, sempre contrária aos bicheiros. De acordo com o governador, a proposta de recorrer aos bicheiros aconteceu entre julho e agosto de 1990, quando ele era conselheiro da ABIA e candidato a vice-governador da chapa de Leonel Brizola. Nilo garantiu que não tocou no dinheiro, tomando conhecimento "vagamente dez dias depois de que o auxílio fora prestado". O governador disse que ficou constrangido por ter sido colocado lado a lado com funcionários de cargos públicos corrompidos pelo jogo-do-bicho. "São duas coisas jurídica e moralmente diferentes: o recebimento de dinheiro para campanha e o recebimento por pessoas que ocupam cargos públicos. Garanto que essa investigação vai até o final. Cobro todo dia de Biscaia (o procurador-geral de Justiça, Antônio Carlos Biscaia) a relação dos funcionários públicos que estão sendo investigados e que devem ser afastados", acentuou o governador, garantindo que serão exonerados todos os cargos de confiança com ligação comprovada na lista do "banqueiro" Castor de Andrade. Indagado durante a entrevista coletiva que concedeu no Palácio Guanabara sobre o constrangimento sofrido com a divulgação de seu nome na lista, o governador afirmou que não condena o Ministério Público, mas "se isso foi um ato voluntário, quem fez isso cometeu crime de abuso de autoridade ao expor a privacidade das pessoas sem a vinculação comprovada" (JB) (O Globo) (O ESP) (O Dia).