Fontes da Procuradoria Geral de Justiça do Rio de Janeiro com acesso às listas de contribuições encontradas nos cofres apreendidos nas fortalezas do "banqueiro" Castor de Andrade disseram ontem que alguns políticos chegavam a receber uma espécie de mesada do jogo-do-bicho: uma das citadas nessa situação é a deputada federal Cidinha Campos (PDT-RJ). A ex-candidata do PDT à prefeitura do Rio de Janeiro chegou a admitir que recebera uma verba da contravenção, mas alegou que era um prêmio por ter denunciado a falsificação de um bilhete do jogo-do-bicho. De acordo com Cidinha, essa quantia fora doada ao Orfanato São José. A direção da entidade, no entanto, nega que tenha recebido qualquer contribuição da deputada. Ontem, os nomes do deputado federal Vivaldo Barbosa (PDT-RJ) e dos deputados estaduais Alberto Brizola e Alice Tamborindeguy-- ambos pedetistas-- também apareceram como beneficiários do jogo-do-bicho. Os livros de contabilidade revelam ainda a presença de vários outros políticos. O presidente do PDT do Rio de Janeiro, deputado Vivaldo Barbosa, aparece na lista do jogo-do-bicho como tendo recebido Cr$1 milhão no segundo semestre de 1990. Inicialmente ele estanhou a informação, mas acabou confirmando que seu nome está na relação depois de conversar com o procurador-geral de Justiça, Antônio Carlos Biscaia. "Enquanto secretário sempre trabalhei contra esse pessoal e não sei a quem atribuir a inclusão do meu nome na lista. Pode ser uma tentativa de me prejudicar politicamente. Nunca tive contato com os contraventores nem com qualquer pessoa ligada a eles", garantiu. Ontem mesmo, Vivaldo Barbosa autorizou a Câmara dos Deputados a investigar sua conta bancária e ter acesso às suas declarações de Imposto de Renda (O Globo).