Já está nas mãos dos promotores da Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro um documento que poderá ser a prova definitiva da ligação dos "banqueiros" do jogo-do-bicho com o Cartel de Cáli, a mais importante organização de produtores e traficantes de cocaína do mundo. Na madrugada de ontem, agentes do Serviço Reservado da Polícia Militar (PM-2) fizeram "batidas" em dois pontos diferentes da cidade e encontraram, num deles, um livro com registros em códigos, lançamentos de créditos e débitos em dólares e números de telefones que vinculam o advogado Fernando Ignácio Miranda, genro de Castor de Andrade, com os traficantes internacionais da organização colombiana. Os registros foram feitos nos últimos dois anos. De acordo com o documento, o advogado tem contatos com os traficantes internacionais na Colômbia, que controlam uma rota que passa por São Paulo e Letícia, na fronteira do Brasil com Peru e Colômbia. A maior surpresa contida no registro e no depoimento de uma testemunha, no entanto, é a revelação de que um intermediário direto entre Fernando Miranda e os traficantes colombianos trabalha como uma espécie de secretário do advogado e frequ"enta diariamente a Polinter. Tal intermediário seria a garantia de que, mesmo preso-- após tentar subornar o delegado Mário Covas com US$7 mil para que este permitisse o funcionamento do videopôquer no interior do estado--, Fernando Ignácio ainda estaria negociando com matutos (fornecedores da droga) ligados ao Cartel de Cáli, no próprio Palácio da Polícia, na Rua Silvino Montenegro, no Santo Cristo. Há provas incontestáveis de que os banqueiros de bicho são também os
79202 banqueiros da droga, disse o procurador-geral de Justiça, Antônio Carlos Biscaia. Ele admirou-se da organização da contabilidade dos bicheiros, que, "além de cifras, traz destino, nome de favorecidos e datas". O livro de contrabando de armas, segundo Biscaia, envolve 80 nomes. "A quadrilha de Castor é bem estruturada e sofisticada. Reúne umas 130 pessoas", revelou (O Globo) (JB).