AUTOLATINA FAZ CAMPANHA CONTRA A IMPORTAÇÃO DE VEÍCULOS

A primeira campanha aberta contra a liberação das importações foi deflagrada na última semana pela Autolatina ("holding" da Ford e da Volkswagen). Elas distribuiu aos seus 48 mil empregados um didático livreto, com 18 páginas coloridas, explicando por que a importação de automóveis representa uma "ameaça à indústria nacional". O livreto, feito pelas áreas de relações trabalhistas e assuntos corporativos da Autolatina, descreve a situação da indústria automobilística em vários países depois da abertura de mercado. E concentra seus ataques principalmente contra os japoneses. Com títulos como "Tio San perdeu a cabeça", referindo-se aos EUA, ou Japon, non, referindo-se à Europa, ou ainda "Nem Canguru resiste", numa alusão ao mercado australiano, a Autolatina nos capítulos de seu livreto, declara guerra aberta contra a importação de veículos. E tenta mostrar que a única maneira de "segurar" os eficientes japoneses é estabelecer cotas máximas para a participação dos importados e cobrar impostos. A indústria nacional, no entanto, reconhece que a abertura de mercado foi um dos principais fatores que levaram as montadoras a se modernizarem, com investimentos em tecnologia e no lançamento de novos produtos. Mas a Autolatina, de acordo com o livreto distribuído também à imprensa, propõe que essa abertura seja mais lenta. Uma das propostas da montadora é a de implantação de cotas que variam de 3,5% a 7% do total do mercado interno, de acordo com a categoria do veículo, por um período mínimo de sete anos, "a exemplo da Comunidade Econômica Européia" (GM).