CASTOR PAGOU DELEGACIA E FÓRUM PARA AJUDAR GENRO

No único disquete de computador apreendido na fortaleza do "banqueiro" do jogo-do-bicho Castor de Andrade e já examinado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, a lista de pagamentos de "PP-Fixos" (propinas policiais fixas) inclui despesas extras com a Polinter-Rio, onde também está preso o genro do contraventor, Fernando Ignácio de Miranda. São obras, gratificações para policiais e despesas do próprio Fernando. Constam ainda as propinas pagas aos 13 capitães do 14o. Batalhão da Polícia Militar (Bangu) e a vários delegacos, inclusive Nelcir de Freitas, diretor da Coordenadoria de Inteligência e Apoio Policial (Cinap). Os oficiais da PM citados teriam recebido CR$8 mil, em janeiro. No mesmo mês, estão computados os pagamentos aos delegados da 33a. Delegacia de Polícia (Realengo), 31 (Ricardo de Albuquerque), 30a. (Marechal Hermes), 28a. (Campinho), 12a. e 13a. (Copacabana), 34a. (Bangu), Cinap e Polinter. Além de beneficiada com a prisão dos três grandes contraventores (Paulinho Andrade, Capitão Guimarães e Zinho), a especializada ganhou reforço financeiro com a prisão de Fernando. Mas não só a delegacia: no dia de uma audiência na Justiça, houve o registro de "despesas extras no Fórum". A listagem registra a entrada de dinheiro dos pontos de diversos bichos pertencentes a Castor de Andrade, as saídas com os pagamentos de empregados e de propinas, além do saldo do caixa. Constam depósitos em várias agências bancárias, como recebimento de reforços das mesmas agências. A contabilidade é detalhada com todas as informações diárias sobre o movimento da banca pertencente a Castor, gerenciada pelo seu genro Fernando Ignácio. Nos registros, de janeiro deste ano, não faltam os gastos com manutenção dos escritórios, compra de armários e a cotação diária do dólar. A Polícia Federal abriu sindicância interna para apurar se o ex- superintendente do Rio de Janeiro, delegado Edson de Oliveira, recebeu dinheiro do jogo-do-bicho. O nome de Oliveira consta da relação de beneficiados apreendida nos cofres do "banqueiro" Castor de Andrade. As investigações sobre o caso, no entanto, continuam sob o comando do Ministério Público e da Polícia do Rio (O Globo).