POBREZA AFETA MAIS DE 50% DOS PERUANOS

Mais da metade da população do Peru (55,4%) vive em estado de pobreza extrema, segundo um estudo feito pelo instituto privado peruano Cuanto. A situação é ainda mais crítica nas zonas rurais, onde vivem na miséria 71,1% de seus habitantes. Dados do Instituto Nacional de Estatística (Inei) e do Banco Mundial (BIRD) indicam que, no final de 1990, o país se proximava mais da situação sócio-econômica dos países africanos quartomundistas do que da América Latina. Este quadro reflete a queda do nível de investimentos do governo peruano no setor social. Em 1980, os gastos sociais foram de 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 1985, foi de 4,7%, mas baixou bruscamente para 2,2% em 1990, ano em que o presidente Alberto Fujimori efetuou um drástico ajuste econômico no mês de agosto para equilibrar a economia. O governo tenta agora retomar os investimentos, destinando 3,8% do PIB para gastos sociais neste ano. De acordo com um estudo da fundação alemã Friedrich Ebert, entre 50% e 55% da população peruana vivem na pobreza extrema, ou seja, não têm renda suficiente para cobrir suas necessidades elementares, como saúde, educação e alimentação. Desta porcentagem, 30% estão na indigência, não obtendo o mínimo para a alimentação diária. Apesar de a pobreza mais aguda encontrar-se no campo, é nas cidades que a situação se agrava em velocidade mais rápida. Segundo o Inei, em meados da década de 80, 16,9% da população de Lima sofriam da pobreza. Hoje, este número subiu para 48,9%, dos quais 30% são pobres recentes (JB).