A passagem pelo Brasil de cocaína destinada à Europa e aos EUA aumentou em 1993, com a apreensão de vários carregamentos de 100 quilos ou mais da droga, enquanto investigações internacionais apontam para um significativo crescimento do volume de narcodólares "lavados" no país. "Os cartéis internacionais estabeleceram operações no Brasil", concluiu o Departamento de Estado, em relatório anual de 538 páginas em que analisa a situação mundial do tráfico de drogas. As autoridades norte-americanas registram, em compensação, que o cultivo da coca é Insignficante" no Brasil, e a produção, de "qualidade inferior". O consumo de maconha, entretanto, "continua a ser um grande problema interno", mas "não há notícia" de que o Brasil exporte esse produto para outros países. É limitada a informação sobre "lavagem" de dinheiro do narcotráfico, e as leis de sigilo bancário dificultam investigações. O relatório conclui que apesar de o governo brasileiro estar colaborando com o dos EUA no combate ao tráfico de drogas, fornecendo aos norte- americanos as informações disponíveis sobre essa atividade, o Brasil vem permitindo o aumento do narcotráfico dentro do país. Além de não pressionar o Congresso Nacional para criar uma lei mais rigorosa nessa área, o governo tem demonstrado desleixo na vigilância das fronteiras e vem permitindo que o Brasil se transforme num dos maiores centros de lavagem de dinheiro dos narcotraficantes. O documento diz, ainda, que em 1993 foram apreendidos no Brasil 7,70 toneladas de cocaína e destruídos cinco laboratórios, contra 2,81 toneladas apreendidas em 1992 e nenhum laboratório destruído (JB) (O Globo).