CRESCE O EXTERMÍNIO DE JOVENS EM CAMPINAS

A cidade de Campinas (SP) vive onde de assassinatos que vitima adolescentes e jovens adultos nos padrões de cidades mais violentas do país. "Nos meses de agosto, setembro e outubro do ano passado matou-se, em média, uma Candelária por mês em Campinas", denuncia o coordenador do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, Ney Moraes Filho, assustado com a matança que, segundo ele, em violência contra menores equipara Campinas ao Rio de Janeiro (RJ). Nos três meses seguidos à chacina da Candelária-- em que nove adolescentes foram executados--, 26 adolescentes e jovens adultos (incluidos garotos até 22 anos) foram mortos na cidade. O levantamento feito por Moraes Filho aponta que em 1993 foram assassinados 36 adolescentes. É um número exagerado, segundo ele. "Campinas tem população de 800 mil habitantes. Isso significa, proporcionalmente, o número de mortes registrados no Rio que, com população de oito milhões de habitantes, teve 400 casos". O coordenador acha que a situação é mais grave ainda quando se constata que Campinas não tem os mesmos componentes sociais que influem no agravamento da violência no Rio. Nos últimos quatro anos, o número de mortes de jovens cresceu de 17 casos registrados em 1990 para 36 no ano passado, mais que o dobro, embora o levantamento tenha deixado de fora os últimos quatro meses do ano. A característica da maioria dos assassinatos indica ação típica de grupos de extermínio: dois ou três garotos são levados para a periferia e encontrados mortos com tiros na cabeça. O Movimento está pressionando a Polícia para investigar os casos e esclarecer a denúncia, segundo a qual, em algumas situações, há envolvimento de policiais. Os fatores que têm influenciado a matança, segundo Moraes Filho, começam com a crise social e prosseguem também pela formação de grupos de extermínio (JB) (O Globo).