O fim do bloqueio econômico à África do Sul e o término de uma longa civil em Moçambique abrem ao Brasil grandes possibilidades de negócios. No caso da Áfria do Sul, ela poderia até mesmo integrar o Mercado Comum do Cone Sul (MERCOSUL), formado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, já que apenas cerca de sete horas de vôo separam o Rio de Janeiro de Johannesburgo, e as economias dos dois países são complementares. Essas são as expectativas do presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), Humberto Motta, que participou no mês passado da primeira missão comercial brasileira a visitar os dois países africanos. A rica África do Sul, por exemplo, cujo Produto Interno Bruto (PIB) anual é o dobro do argentino, dispõe de recursos financeiros abundantes, e precisa montar uma completa infra-estrutura de transportes urbanos nas grandes cidades do país, agora que acabou o regime de apartheid. O Brasil deve estar atento para aproveitar essa oportunidade em um setor que conta com tecnologia avançada e empresas capitalizadas. Os brasileiros, lembra Motta, podem fornecer ônibus, carros de metrô e de trens, fazer obras etc. No caso de Moçambique, país pobre destruído por uma guerra civil de 20 anos, é preciso reconstruir toda a infra-estrutura e várias nações ricas estão empenhadas em um mutirão de solidariedade para financiar projetos que supram o país das suas principais necessidades. Moçambique saiu de uma economia marxista para a de mercado e está iniciando um programa de privatização, do qual os brasileiros podem participar, conforme Motta (O ESP).