Testemunhas ouvidas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, entre elas um ex-contador de Castor de Andrade, afirmaram que documentos existentes nos cinco cofres apreendidos no último dia 30 no escritório do contraventor comprovam a existência de uma "conexão andina", ligando o cartel do jogo-do-bicho a traficantes da Bolívia e da Colômbia. Os cofres, guardados no Quartel Central da Polícia Militar, serão abertos hoje. Segundo o promotor Rafael Cesário, a ligação entre o bicho e o narcotráfico se estabeleceu no meio da década de 70. Naquela época, uma reunião de cúpula da contravenção traçou planos contra a evasão de renda provocada pelo sucesso da Loteria Esportiva, surgindo a decisão de o bicho ligar-se ao tráfico de drogas. Em Brasília, o secretário da Receita Federal, Osiris Lopes Filho, espera autorização do Ministério Público para iniciar uma devassa no Imposto de Renda dos "banqueiros" do bicho. Enquanto isso, o jogo continua impune nas ruas do Rio de Janeiro (capital): ontem, em quatro pontos da zona sul, as apostas foram recebidas normalmente e até mesmo diante de impassíveis soldados da Polícia Militar (JB).