MOVIMENTO SEM-TERRA QUER MAIS OCUPAÇÕES

O Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) quer triplicar o número de ocupações de propriedades rurais este ano. Segundo o MST, em 1993 foram realizadas 55 ocupações. O coordenador nacional do Movimento, Gilmar Mauro, disse que o principal incentivo para o aumento das ocupações é a realização da eleição presidencial. Os sem-terra querem dar uma demonstração de força para que o próximo governo dê mais atenção à reforma agrária. O MST apóia a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República. Mauro disse que os sem-terra vão "entrar na campanha". O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Roosevelt Roque dos Santos, acusa o MST de usar sem-terra como "massa de manobra" em anos eleitorais. De acordo com dados do MST existem no Brasil 12 milhões de trabalhadores rurais sem-terra. Desse total, 122.599 famílias estão assentadas de forma regularizada e 20 mil famílias estão alojadas em áreas ocupadas. Há no país 250 milhões de hectares em áreas devolutas do Estado e 285 milhões de hectares em latifúndios, além de 179 mil hectares de propriedade da Igreja. Já morreram 1.200 pessoas em conflitos fundiários pelo país. Segundo Gilmar Mauro, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Igreja e algumas organizações não-governamentais (ONGs) colaboram financeiramente com os sem-terra. As próprias famílias assentadas em locais desapropriados para a reforma agrária contribuem, se quiserem e tiverem condições, doando 1% da produção para o MST. Mauro afirma que algumas prefeituras-- "até do PFL"-- também ajudam o Movimento, emprestando ônibus para as manifestações pacíficas. Os sem-terra também se organizaram em outras áreas. Eles mantém escolas, fazem cursos técnicos (para formação de administradores de cooperativas e técnicos em tecnologias agrícolas) e jornais. A finalidade, segundo o MST, é criar uma mão-de-obra que possa garantir a viabilidade dos assentamentos (FSP).