CHUVAS TRAZEM MAIS FOME PARA OS FLAGELADOS DA SECA

A chuva, tradicionalmente festejada no sertão, também trouxe más notícias este ano. As frentes de trabalho, nas quais estão alistados 1,9 milhão de nordestinos, foram desativadas em 31 de março-- diante da chegada das chuvas nos estados castigados pela seca. A justificativa do Ministério da Integração Regional é de que as famílias agora poderão se ocupar da agricultura. Mas, segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), faltam sementes para plantio em todo o Nordeste. E este não é o único problema, segundo o presidente da entidade, Francisco Urbano de Araújo. Como milhares de agricultores só vão fazer a colheita em julho, a perspectiva para os próximos meses é de fome. A situação é ainda mais grave porque, na maioria dos estados nordestinos, o pagamento do meio salário-mínimo para os alistados esta atrasado até dois meses. Os alistados do Piauí ainda não receberam os salários de fevereiro. Já
79130 há colheita na região sul, mas no norte do estado só haverá colheita em
79130 julho, se continuar chovendo, diz o presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais do Piauí, Adonias Virgínio de Souza. No Ceará a situação não é diferente: apenas 40% dos agricultores têm condições de colheita imediata. Em Pernambuco não há perspectiva de produção agrícola em municípios do agreste. Na Bahia a colheita só começou na região de Irecê, grande produtora de feijão. As frentes de trabalho consumiram, nos últimos 12 meses, cerca de CR$170,8 bilhões em compra de insumos e pagamentos de meio salário-mínimo a 1,9 milhão de alistados. E foram a única fonte de renda para cerca de 12 milhões de pessoas, beneficiadas direta e indiretamente pelo programa. Criado em caráter de emergência, o programa foi implantado depois que os saques a feiras e armazéns multiplicaram-se por todo o Nordeste. De acordo com a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), o investimento não foi em vão: as frentes deixaram um saldo de 110.076 quilômetros em adutoras, estradas vicinais e ampliação de sistema de abastecimento, além de 34.891 unidades edificadas-- entre casas populares, cacimbas, poços, cisternas e chafarizes (O Globo).