OPERAÇÕES SECRETAS PODEM SER ELO BICHO-TRÁFICO

O vínculo entre o jogo-do-bicho e o tráfico internacional de drogas pode estar camuflado nas misteriosas operações registradas nos disquetes de computador apreendidos pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, no último dia 30, na fortaleza do "banqueiro" Castor de Andrade. Na contabilidade do bicheiro, os promotores encontraram os registros dos financiamentos dessas operações. Descobrir esse mistério significa, para os responsáveis pelas investigação, encontrar a prova que há tanto tempo procuram: de que os contraventores estão envolvidos com o tráfico. Até agora, o indício mais forte que o Ministério Público tem para acusar os bicheiros de envolvimento com o tráfico é o resultado de uma diligência da polícia paraguaia em dezembro de 1992. Os agentes estouraram uma fortaleza pertencente a Valdemir Garcia, o Miro, em Ciudad Del Este, cidade usada pelos traficantes como rota para passagem da cocaína. Lá encontraram armas, rádios transmissores e um heliporto ligado ao casarão por um tunel subterrâneo. O presidente Itamar Franco determinou à Polícia Federal e à Receita Federal que investiguem o mais rapidamente possível eventuais envolvimentos de funcionários do governo federal com o jogo-do-bicho e atividades criminosas paralelas como contrabando e tráfico. Os dados apurados pela Receita e pela PF serão também encaminhados à Comissão Especial de Investigação (CEI), presidida pelo ministro da Administração, Romildo Canhim, que investiga práticas criminosas de servidores federais. A determinação do presidente foi movida pela denúncia de que o superintendente da PF no Rio de Janeiro, delegado Edson de Oliveira, teria recebido propinas da contravenção. A Receita Federal, que já vem investigando crimes fiscais cometidos pelos "banqueiros" do bicho, subsidiará a PF de informações apuradas pela fiscalização. Nenhum processo fiscal, no entanto, foi concluído. Os deputados federais Jamil Haddad (PSB-RJ), Simão Sessim, Cidinha Campos e José Vicente (PDT-RJ), incluídos na lista do jogo-do-bicho, poderão ser cassados por quebra de decoro. O corregedor da Câmara, deputado Fernando Lyra (PSB-PE), explicou ontem que a Corregedoria acompanhará atentamente as investigações do Ministério Público. Se alguma denúncia for comprovada, ele irá propor à Mesa Diretora a abertura de processo para a cassação dos culpados (O Globo) (JB).