Uma combinação balanceada de alimentos desenvolvida pelo Departamento de Bioquímica e Imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vem obtendo bons resultados no combate à desnutrição de crianças carentes em seis comunidades da periferia de Contagem (MG). Além de mais saudável, elas estão melhorando seu desempenho escolar. Denominada "pão forte", esta combinação é um alimento alternativo de elevado teor nutritivo, que pode substituir com vantagem a carne, leite e ovos. Segundo o professor e imunologista da UFMG, Munir Chamone, que desenvolveu a combinação, o "pão forte", além de reduzir a desnutrição, o alimento tem baixo custo, o que facilita sua compra pelas populações carentes. As crianças complementam a alimentação diária com dois ou três pães de 50 gramas cada um, produzidos na forma de broas. O custo de cada pão hoje está em torno de CR$20,00, enquanto que um pãozinho francês custa em torno de CR$60,00. O "pão forte" é um composto energético que reúne vitaminas A e B-12, ferro, cálcio e proteínas. Em sua composição entram produtos da cesta básica, como arroz, feijão, óleo de soja, farinha, açúcar, trigo e fubá. "Procuramos combinar isso tudo porque os alimentos só funcionam bem quando balanceados. Dessa forma, as crianças ganham peso, crescem e ficam nutridas", disse Chamone. A UFMG foi buscar parceiros para produzir e distribuir o "pão forte" entre a população carente. Foi criado o Projeto Centro Educacional em Saúde, que reúne a prefeitura de Contagem, centros comunitários da região e a Legião Brasileira de Assistência (LBA). O pão começou a ser distribuído há cerca de dois anos em três creches e quatro pré-escolas. O acompanhamento de 200 crianças mostrou que os resultados foram bons. Em duas creches, verificou-se que de 57 crianças que faziam uso do pão, apenas cinco (9%) apresentavam quadro de anemia. De 72 crianças que não consumiam o pão, 30 (42%) tinham anemia. As pesquisas mostraram ainda que o uso do "pão forte" aumentou a altura e o peso das criaças. Em março de 1993, de 47 crianças que comiam o pão, 34% tinham um desempenho escolar considerado "péssimo". No final do ano, porém, essa porcentagem havia caído para apenas 7%. Dois comitês da Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida de Belo Horizonte (MG)-- o dos funcionários do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e o dos empregados do Centro de Pesquis René Rachou-- estão implantando minipadarias em dois bolsões de pobreza na periferia da cidada para a produção do "pão forte". Com o pão, os comitês querem mudar a forma de atução no combate à fome, ajudando de outra forma as famílias miseráveis. "Ao invés de doarmos cestas básicas, faremos um trabalho mais efetivo", disse Wagner Túlio Faria, coordenador do comitê do BDMG. Os dois comitês estão fornecendo o equipamento necessário para a implantação das minipadarias-- forno, botijão de gás e massadeira--, além do material para a construção dos galpões. Na vila Mariquinhas, onde vivem cerca de 300 famílias, a maioria em barracas de lona, a minipadaria está sendo construída e este mês começa a produzir o "pão forte". A idéia é vender o pão ao preço de custo (CR$16,00). O dinheiro da venda será usado na compra dos ingredientes (FSP).