Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) em Furnas Centrais Elétricas S/A constatou diferenças de bilhões de dólares entre os números apresentados pela estatal e os custos reais de construção das usinas nucleares brasileiras, principalmente Angra 2, em Angra dos Reis (RJ). O relatório que contesta as contas de Furnas ficou engavetado durante meses no TCU. Suas conclusões podem colocar por terra os argumentos do Executivo para justificar a decisão de continuar as obras da usina. A auditoria mostra, por exemplo, que Angra 2 custou até agora US$5 bilhões, segundo os cálculos considerados mais fidedignos. A cifra é mais do que o triplo do que Furnas declara oficialmente ter gasto desde 1977-- US$1,5 bilhão. O relatório do TCU também concluiu que não há nenhuma confiabilidade nas estimativas de quanto precisaria ser gasto para terminar a obra. A previsão é de que a usina requer investimentos maiores do que custaria a construção de uma hidrelétrica com a mesma capacidade de geração de energia, de 1,3 mil megawatts (MW) de potência instalada. Com base nos resultados da auditoria, a organização ambientalista Greenpeace vai pedir o embargo das obras da usina. O documento do TCU não só coloca em xeque a credibilidade de Furnas, mas também lança dúvidas sobre as contas de todo o setor elétrico. Afirma que diante dos custos apurados "a energia nuclear não é competitiva no Plano 2015", preparado pela ELETROBRÁS. "Na hipótese mais pessimista somente em 2005 a energia térmica seria competitiva com a hidreletricidade", afirma o relatório da auditoria, que ainda coloca a opção nuclear como a mais cara entre as alternativas de geração térmica (O ESP).