ARGENTINA PERDE MERCADO EXTERNO COM A TAXA FIXA

Estudo realizado pelo Corporate Reosurces Group, de Genebra (Suíça), demonstra que Buenos Aires (Argentina), tem o mais alto custo de vida de toda a América Latina e ocupa o sétimo lugar no mundo. Em 1988 ocupava a 66a. posição. Este é um dos preços pagos pelos bolsos dos argentinos, devido à introdução da taxa cambial fixa (um dólar equivale sempre a um peso). Esta é a base da dolarização da economia argentina, introduzida em abril de 1991, que derrubou a inflação. Os preços pagos pelo consumidor continuam 50% mais elevados em dólares do que imediatamente antes do plano do ministro da Economia, Domingo Cavallo. A economista Lia Valle, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), demonstra, em estudo, que o aumento próximo a 120% das exportações brasileiras para a Argentina, deve-se mais à perda de competitividade do país vizinho devido ao câmbio fixo do que ao Mercado Comum do Cone Sul (MERCOSUL). O cruzeiro primeiro e o cruzeiro real agora vêm apresentando desvalorização em relação ao dólar e, consequ"entemente, à moeda argentina. Isso torna mais barato os produtos brasileiros, devido à correção cambial feita aqui, de acordo com a inflação. Esse fato levou ao aumento das importações argentinas em geral, prejudicando a economia local. O déficit comercial do país vizinho mantém-se próximo a US$2,5 bilhões anuais desde o pacote. Ele é compensado pela entrada de investimentos de US$9,3 bilhões, diretamente relacionados ao programa de privatização. Essa compensação permitiu que a economia argentina crescesse, após anos de estagnação, 6% em 1992 e percentual semelhante ano passado. A inflação caiu de 4.923% em 1989 para algo próximo a 10% ao ano (JC).