CAMPANHA PELO EMPREGO EXIBE OS PRIMEIROS RESULTADOS

Um grupo de 10 costureiras produz mensalmente mil peças de roupas, entre camisetas, bermudas e calças, em Campinho, Jacarepaguá, zona norte do Rio de Janeiro (capital). Moradores do morro Dona Marta, em Botafogo, zona sul, aprendem a fabricar papel reciclado. Nas Laranjeiras, zona sul, um balcão de empregos oferece os serviços de eletricistas, mecânicos e marceneiros. Moradores do morro da Grota, em Niterói (RJ), aprendem a confeccionar um boneco de brinquedo, chamado Bujica, idealizado pelo artista plástico Milton Nisti. Estes são alguns projetos em andamento desenvolvidos por comitês da campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida no Rio de Janeiro, voltados para a geração de empregos. O objetivo é enfrentar a crise no país. Num balanço destes três meses da segunda etapa da campanha no Rio, o economista Maurício de Andrade diz que a preocupação tem sido catalogar experiências de trabalho bem-sucedidas. Ele aponta entre as alternativas viáveis de criação de empregos as cooperativas de produção e de serviços e os grupos informais de produção. No meio rural, Andrade-- economista da Pesagro (Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária)-- afirma que os esforços têm-se concentrado na distribuição e na garantia de uma produção estável de hortifrutigranjeiros. "Só eliminaremos os intermediários quando os pequenos produtores dispuserem de um local para vender os alimentos e de caminhões para transportá-los", diz. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), engajado na campanha contra a fome, sugeriu a instalação de uma grande central de venda na cidade, onde todas as cooperativas e grupos informais pudessem oferecer seus produtos (FSP).