Numa grande operação que "estorou" seis pontos de jogo-do-bicho em Bangu, zona norte do Rio de Janeiro (capital), área dominada pelo contraventor Castor de Andrade, 10 promotores da Procuradoria Geral de Justiça apreenderam mais de 50 máquinas de videopôquer e videobicho contrabandeadas, armamento pesado e munição, além de 17 livros-caixa com uma relação de pagamento de propinas a autoridades policiais, entre elas o recém-empossado secretário estadual de Polícia Civil, Jorge Mário Gomes, e o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Edson Oliveira. Se considerar que há fortes evidências ligando essas autoridades à contravenção, o Ministério Público poderá assumir as investigações, dispensando o inquérito policial, e solicitar o sequ"estro dos bens dos envolvidos. O Ministério Público acredita que tenha conseguido parar ontem todo o jogo-do-bicho no Rio e em parte do país. As investigações levam a crer que o escritório de contabilidade dos "banqueiros" do jogo-do-bicho funcionava como um centro de descarga da contravenção. Os promotores estimam que, para o local, convergiam todos os banqueiros que eventualmente não pudessem arcar com o pagamento de uma aposta muito alta-- rateada entre todos para não comprometer a credibilidade do jogo. Castor de Andrade é frequ"entemente apontado, por pessoas ligadas à contravenção, como responsável pela descarga. Cerca de 20 "gerentes" e funcionários da contravenção foram presos. As provas mais importantes foram encontradas na Rua Fonseca 1.040, onde funcionava uma espécie de escritório de contabilidade do jogo-do-bicho, chefiado pelo genro de Castor de Andrade, Fernando Inácio de Miranda. Todo o movimento financeiro da contravenção em 1993, incluindo propinas policias fixas-- classificadas como P. P. Fixas--, estava registrado em livros. Além do novo secretário de Polícia Civil e do superintendente da PF, são citados delegados e oficiais de batalhões da Polícia Militar. Também são relacionados pagamentos fixos a delegacias distritais e especializadas. Entre os delegados, foram citados Mário Covas, do Departamento Geral de Polícia do Interior; o ex-chefe de gabinente do vice-governador Nilo Batista (PDT), João Carlos Castelar; o ex- subsecretário de Polícia Civil, Erberhart Henning; e Luiz Mariano, diretor da Polinter. Segundo o chefe de gabinete da Procuradoria Geral de Justiça, Antônio José Campos Moreira, o Ministério Público vinha investigando sigilosamente o envolvimento de bicheiros com corrupção, contrabando e tráfico de drogas. A operação foi montada após informações repassadas à Procuradoria pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) e o Serviço Reservado da Polícia Militar. O governador Leonel Brizola (PDT) afirmou que o caso será apurado com rigor. "Dadas as circustâncias, isso pode ser armação, porque existem correntes dentro da polícia que se confrontam", contou. O vice-governador Nilo Batista confirmou que sabia da operação e defendeu a honra de todos os delegados colocados sob suspeita (O Globo) (JB).