TERCEIRO MUNDO PROTESTA NO GATT

As nações em desenvolvimento deram ontem um xeque-mate à iniciativa dos EUA e da França de acrescentar uma cláusula social na ata que criará a futura Organização Mundial do Comércio (OMC), a entidade que sucederá o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT) como foro máximo para regulamentação e solução de disputas das trocas comerciais internacionais de bens e serviços que movimentam trilhões de dólares por ano. Numa intervenção dos embaixadores do Brasil e da Índia, o atual chefe do GATT e provável presidente da OMC, o irlandês Peter Sutherland, foi informado em Genebra (Suíça) que se europeus e norte-americanos insistirem em anexar a questão do dumping social-- a que denuncia a superexploração do trabalhoem nações do Terceiro Mundo como vantagem comercial competitiva e, portanto, está sujeita a sobretaxações-- os países em desenvolvimento deverão vetar o grande acordo do comércio mundial previsto para o dia 15 de abril, em Marrakesh, no Marrocos. Seria a pior das notícias se a declaração ministerial que criará a OMC
79069 não for assinada por todas as partes contratantes (países que fazem parte
79069 do GATT e assinaram a conclusão da Rodada Uruguai em dezembro), afirmou Sutherland. Visivelmente preocupado, ele disse que a "cláusula social ou trabalhista" tem poder de implodir a declaração de 116 países em favor de uma nova ordem comercial mundial "mais justa e mais organizada". Em nome de todos os países em desenvolvimento, o embaixador brasileiro em Genebra, Luiz Felipe Lampréia, foi incisivo: "Não aceitaremos em nenhuma hipótese as pressões franco-americanas de vincular comércio a padrões sociais de trabalho à declaração da OMC". Ele também deixou claro que, na concepção dos países pobres, nessa iniciativa estão interesses claros do protecionismo norte-americano e europeu. O porta-voz do negociador norte-americano, John Schmidt, reagiu às críticas afirmando serem improcedentes e declarou: "Os EUA manterão a questão como fundamental para se criar a OMC" (O ESP).