O desafio é estimular países africanos, asiáticos e latino-americanos com população de baixa renda a abrir seus mercados de telefonia. Muitos deles oferecem poucos telefones a seus habitantes ou apenas prestam o serviço às faixas mais privilegiadas mas, em compensação, contam com as operadoras estatais, com os mais altos índices de lucratividade do mundo. Os africanos e asiáticos menos desenvolvidos respondem por 59% da população mundial, mas apenas por 3% das linhas telefônicas num universo de 575 milhões de terminais, espalhados nos cinco continentes. As operadoras garantem rentabilidade média anual de 31%, acima da mundial, cobram caro pelos serviços até porque há empresas que tem dificuldade de enviar e receber as contas. Em 1992, foram responsáveis por apenas 5% do total global de investimentos previstos para o setor, embora respondessem por 17% da demanda mundial por telefones, segundo análise da União Internacional de Telecomunicações (UIT), organismo das Nações Unidas (ONU), que encerrou no último dia 29 a primeira Conferência Internacional para o Desenvolvimento das Telecomunicações, em Buenos Aires, na Argentina. Durante nove dias de conversações e sugestões foi preparado o Plano de Ação de Buenos Aires. O plano traz propostas para um desenvolvimento mundial mais harmônico, baseado na abertura dos mercados do setor e tendo como alvo os países com a maioria da população de baixa renda. Estes, boa parte deles, com operação estatal da telefonia participaram de um fórum em que a palavra de ordem é liberalização, o que pode, segundo os documentos propostos, não necessariamente aderir à privatização totam mas à abertura de parte do mercado à concorrência, o que atrairia novos investidores, reduzindo o déficit de serviços. Libéria, Gâmbia e Guiné, na África Central, só encontraram um jeito de acabar com o débito do próprio governo à operadora de telefonia: reduziram as linhas disponíveis para os ministérios. Na Libéria (com sete mil linhas) e na Guiné (com 11 mil) a ligação internacional não pode ultrapassar cinco minutos, mesmo a das autoridades. E ainda precisa passar por telefonistas (GM).