BRASIL PERDE NA RELAÇÃO COM O BIRD E O BID

As relações financeiras do Brasil com os organismos multilaterais de crédito-- Banco Mundial (BIRD) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)-- pioraram nos dois últimos anos. Em 1993, o país transferiu liquidamente para ambas as instituições US$1,744 bilhão, sendo US$1,467 bilhão só para o BIRD. Essas transferências representam aquilo que o país teve de pagar a mais em juros e amortizações em comparação com o que recebeu em desembolsos efetuados pelos organismos. A pior situação é com o BIRD, cujo desembolso anual de recursos ao Brasil caiu do patamar já baixo de US$800 milhões do final da década de 80 para algo em torno de US$500 milhões desde 1992. No ano passado, o banco liberou apenas US$471 milhões e recebeu em pagamento US$1,318 bilhão a título de amortizações e US$620 milhões em juros. Também tem caído o valor dos contratos de novos empréstimos a cada ano: passou de US$1,344 bilhão em 1992 para menos da metade, atingindo US$636 milhões em 1993 com o BIRD e de US$1,117 bilhão para US$514 milhões, com o BID. Há problemas de toda a ordem que ajudam a explicar a deterioração das relações com aqueles órgãos. Há falta de recursos para a contrapartida interna necessária nos financiamentos; há ineficiência no gerenciamento de projetos; há descontinuidade na administração interna dos programas; e dificuldades burocráticas que atrasam o fluxo de recursos. A carteira total de projetos contratados com o BIRD e com o BID está estimada, pela Secretaria de Assuntos Internacionais (Seain) do Ministério do Planejamento, em cerca de US$22 bilhões. Desse total, cerca de US$10 bilhões representam financiamento externo. Se estivéssemos cumprindo o cronograma original dos contratos, o
79053 desembolso de recursos para todos os projetos em execução seria de US$13,5
79053 bilhões até o final do ano passado, sendo US$6,089 bilhões de
79053 empréstimos dos dois organismos, mas a realidade é outra porque o
79053 realizado está em torno de US$7,3 bilhões, com um desembolso efetivo de
79053 apenas US$3,3 bilhões de recurso externo, informou o secretário da Seain, Mauro Marcondes Rodrigues. O quadro reflete o atraso na execução dos projetos. "O ideal é o projeto ter de quatro a cinco anos de execução mas quase 50% da carteira dos projetos em andamento apresenta hoje prazo superior a cinco anos, com os investimentos levando muitos anos para se materializar", disse ele. No caso do BIRD, a amortização começa a ser paga a partir do quinto ano no percentual relativo ao contratado e não ao efetivamente liberado. Portanto, quanto mais atrasar o projeto, mais cara fica sua execução para o país (GM).