Já chegaram ao Brasil as primeiras 29 caixas com alimentos e roupas doados por cidadãos norte-americanos para a campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, liderada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. A remessa foi resultado do trabalho de alguns brasileiros, a partir de uma idéia de Danilo Fonseca, bolsista do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Tecnológica), que cursa o doutorado em sociologia na American University, em Washington, D.C.. Com o lema "Ajudando o Betinho, ajudando o Brasil", lançado no Social Culture Brazil, um dos milhares de subgrupos da rede Internet, de comunicação por computador, Fonseca conseguiu mobilizar outros estudantes brasileiros de pós-graduação no exterior. A mensagem de Fonseca também chegou ao IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e foi respondida pelo próprio Betinho. Ele me desafiou a criar não um, mas vários grupos da campanha contra a
79050 fome nos EUA, contou Fonseca. A resposta de Fonseca a Betinho foi: Desafio aceito. O começo, há dois meses, deu trabalho-- "tive que carregar piano"--, mas as novas adesões permitiram que a campanha conseguisse até um meio de transporte gratuito para o Brasil. Sempre que possível, a Comissão Aeronáutica Brasileira abre espaço para as doações em seu depósito em Maryland e no Hércules C-130 ou KC-135 que vem regularmente dos EUA. Há poucas semanas, foram abertas duas contas para doações no Banco do Brasil de Nova Iorque (uma para os norte-americanos que querem fazer deduções do imposto de renda). As contas são administradas exclusivamente pelo banco. Já existe um comitê que se reúne em Washington para discutir novas iniciativas, mas o espírito da campanha da cidadania é de descentralização e criatividade, como frisa Fonseca. Essa não é a primeira vez que Danilo Fonseca tem a iniciativa em ações coletivas. Quanto Paulo César Farias, o PC, foi preso, ele mobilizou centenas de pessoas para enviarem cartas pedindo sua extradição para o Brasil (JB).