O empresário José Ermírio de Moraes Filho, do grupo Votorantim, foi indiciado pela Polícia Federal sob acusação de crime contra a ordem tributária (sonegação), no inquérito sobre o esquema PC Farias. Trata-se do segundo indiciamento feito pela PF contra o empresário. O primeiro foi em novembro do ano passado, sob acusação de corrupção ativa. Em maio de 1990, a EPC-- empresa de Paulo César Farias-- emitiu à Votorantim uma nota fiscal de Cr$1,3 bilhão, correspondente a serviços de assessoria fiscal. A perícia da PF concluiu que a nota era fria, pois os serviços não foram feitos. O problema é que em sua declaração de renda, a Votorantim usou a nota fria para justificar despesas e assim reduzir o lucro da empresa e o valor do imposto a pagar. Em julho do ano passado, a Receita Federal multou a Votorantim em Cr$90 milhões. A multa foi paga, mas a PF entende que o pagamento não elimina a punibilidade pelo crime contra a ordem tributária e no último dia 14 indiciou o empresário (FSP).