BRASIL É UM PAÍS ESTRATÉGICO PARA OS EUA

Na administração Bill Clinton, o Brasil foi classificado como um dos 10 maiores mercados emergentes do mundo e passou a ser um país estratégico para os EUA pela "capacidade de influenciar outros países da região e de contribuir para o equilíbrio militar, pelo excepcional potencial econômico, comercial e político, ambição e capacidade tecnológica". Baseado nesse interesse estratégico, esteve ontem com vários ministros do governo Itamar Franco o subsecretário de Comércio para assuntos de comércio internacional dos EUA, Jeffrey E. Garten. "Estou aqui para para começar um processo de cooperação intensa. Os grandes mercados emergentes na América Latina serão os países mais importantes no hemisfério ocidental", disse. Apesar das "complicações" brasileiras e do período pré-eleitoral, os EUA anunciam que vão trabalhar agora de "forma sistemática e organizada"-- como não ocorria no passado, segundo Garten-- para defender os interesses de suas empresas, sobretudo as dos setores de telecomunicações e serviços financeiros. Os EUA estão interessados em três grandes projetos: o Sivam, de vigilância da Amazônia (fornecimento de radares e equipamentos de telecomunicações), a hidrovia Tietê-Paraná e o gasoduto Brasil-Bolívia. O subsecretário de Comércio explicou que sua visita, em seguida ao Chile e à Argentina, também tem a intenção de discutir com o Brasil o que virá depois do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), que ele imagina, juntamente com o MERCOSUL e outros grupos sub-regionais, convergirá para uma grande área de livre comércio hemisférica. Sobre a área de livre comércio sul-americana, idéia do presidente Itamar Franco, Garten disse "que todo passo na direção de uma área de livre comércio hemisférica é bem-vinda". Garten veio para começar a preparar a conferência da cúpula hemisférica, que se realizará em Miami, em dezembro, por convocação do presidente Clinton (GM).