MOBILIZAÇÃO CONTRA A DESATIVAÇÃO DAS FRENTES DE TRABALHO

O governo Itamar Franco nem resolveu a crise com o Supremo Tribunal Federal (STF) na questão salarial e já está entrando em outra grande confusão: a desativação das frentes de trabalho do Nordeste e o fim do programa de distribuição de alimentos à população carente. No dia 31 de março o governo acaba com as frentes de trabalho que dão meio salário-mínimo para dois milhões de pessoas no Nordeste e no final de maio deixa de dar cestas de alimentos a famílias de 1.155 municípios da região. O bispo dom Mauro Morelli, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA), viaja essa semana a Brasília (DF) para tentar mudar a decisão do governo, enquanto o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, articulador nacional da campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, arregaça as mangas para ir à luta. "Não vamos descansar enquanto não assegurarmos a continuação dos programas. A ocorrência de chuvas não significa que acabou a fome no Nordeste", diz ele. Alega ainda Betinho que ele tem a palavra do presidente Itamar de que o combate à fome e à miséria é a "prioridade absoluta" de seu governo. "Esta palavra Itamar não pode retirar de forma alguma", disse Betinho (JB).