Enquanto os 64 países-membros da Convenção da Basiléia para Controle Internacional de Resíduos Tóxicos, concluída no último dia 25, em Genebra (Suíça), decidiram proibir a exportação deste tipo de material para o resto do mundo, a organização não-governamental Greenpeace Internacional acaba de concluir e divulgar relatório em 30 países sobre o comércio de sucata de chumbo. O Brasil está entre os seis principais receptores deste elemento-- só entre 1991 e 1992, recebeu 15 mil toneladas--. As consequ"ências são assustadoras: morte súbita de animais e contaminação do sangue da população vizinha às fundições. A conclusão da ONG é de que nenhuma das empresas autorizadas pelo IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) para importar o material controla a poluição que ele provoca. A Faé S/A, em Caçapava (SP), foi fechada este mês pela CETESB (Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental de São Paulo), após exames no ar, solo e sangue da população e dos animais. A Microlite, em Sorocaba (SP)-- multada pela CETESB 19 vezes, entre 1979 e 1993-- será alvo da próxima investigação do órgão ambiental. Além destas fundições, as principais do país são a Bitury, em Belo Jardim (PE), e a Acumuladores Ajax Ltda., no interior de São Paulo. "Nossa maior preocupação são as fundições de fundo de quintal, que funcionam sem qualquer controle", alarma-se o diretor-executivo da Greenpeace no Brasil, Rubem de Almeida. "É preciso atitudes mais rigorosas do governo para impedir a continuidade desta poluição, e as empresas deveriam se preocupar menos com o lucro", diz (JB).