Empresários paulistas defenderam ontem a união das forças de centro em torno de um candidato à Presidência da República e avaliaram que o ministro Fernando Henrique Cardoso (PSDB) deverá ter o apoio da classe para comandar esse processo. Eles elogiaram a trajetória política do ministro da Fazenda, mas fazem uma advertência: a candidatura de Fernando Henrique só tem sentido se estiver alicerçada numa ampla base de apoio suprapartidário, que compreende a aliança entre PSDB e PFL. Fernando Henrique goza de credibilidade e sua candidatura, que é um fato
78988 positivo, seria imbatível se as forças pensantes se aglutinarem em torno
78988 do seu nome. E o momento é de unidade dessas forças para levar o país às
78988 mudanças. Não dá mais para elas caminharem divididas, disse Hugo Miguel Etchenique, presidente do grupo Brasmotor. Os empresários rejeitam a tese de que a simpatia com relação a Fernando Henrique esconda o desejo de viabilizar uma candidatura anti-Lula (Luís Inácio Lula da Silva, candidato do PT). Para Mário Amato, que assume essa semana a presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI), uma candidatura contra uma outra é sempre antipática e, por isso, pode criar problemas. "Fernando Henrique tem um passado de esquerda, mas vem pautando sua ação como um homem de centro e de muito diálogo, que se relaciona com competência na esquerda e na direita", observou Amato. Segundo Celso Hahne, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Plásticos (Abiplast), mais que simpatia ou desejo de viabilizar um anti- Lula, o apio empresarial a uma candidatura amparada numa ampla aliança de centro é uma questão de bom senso. Ele diz que, com exceção daqueles empresários que sobrevivem às custas do governo, a classe vai apoiar quem defenda o livre mercado. O PFL só fará uma coligação com o PSDB para disputar a sucessão presidencial se indicar o companheiro de chapa de Fernando Henrique. A afirmação é do presidente nacional do partido, Jorge Bornhausen. Caso o PSDB não aceite a exigência, o PFL lançará a candidatura do governador da Bahia Antônio Carlos Magalhães ou fará uma coligação com o PPR (O Globo).