GAVIRIA É ESCOLHIDO PARA A OEA

O presidente da Colômbia, Cesar Gaviria, foi eleito ontem secretário- geral da Organização dos Estados Americanos (OEA). Ele derrotou o ministro das Relações Exteriores da Costa Rica, Bernd Niehaus, por 20 votos a 14. Cuba, suspensa da entidade desde 1964, não votou. Gaviria, economista de 46 anos, teve o apoio de todos os grandes países do continente. O subsecretário de Estado dos EUA, Strobe Talbott, disse que sua eleição vai trazer "prestígio e respeito" à organização. Gaviria vai substituir o brasileiro João Baena Soares, que ocupou o cargo por 10 anos. Niehaus, de 51 anos, recebeu mal a derrota. Acusou os EUA de terem feito pressão indevida sobre países pobres para eleger seu adversário. "Pior do que a atitude imperialista dos fortes é a atitude colonialista dos fracos", disse. Em janeiro, ele tinha o apoio escrito de 20 membros da OEA. Para o governo Clinton, a eleição de Gaviria era ponto de honra. Jovem, alinhado com os princípios de liberalização econômica defendida pelos norte-americanos, empreendedor, Gaviria é um dos atuais líderes de países latino-americanos mais respeitados em Washington. Seus dois principais problemas políticos imediatos serão Cuba e Haiti. Todos os integrantes da OEA, exceto os EUA, mantêm relações diplomáticas normais com Havana e Gaviria é tido como amigo pessoal de Fidel Castro. Mas os EUA insistem em manter Cuba suspensa da OEA. No Haiti, que é representado na organização pelo governo no exílio de Jean-Bertrand Aristide, a OEA não tem conseguido-- apesar do empenho-- exercer pressão eficiente sobre os militares para restaurar a democracia no país, em parte devido à atitude ambígua de Washington. Nesses dois assuntos, Gaviria vai ter que se defrontar com a discordância dos EUA caso resolva seguir a linha apoiada pela maioria dos países do hemisfério. Além desses temas, os outros pontos centrais da sua agenda na OEA serão os direitos humanos e as injustiças sociais no continente. Gaviria também vai enfrentar o problema da estrutura burocrática da OEA, que tem 600 funcionários, orçamento anual de US$69 milhões e pequena eficiência administrativa. Ele deve assumir o novo cargo em agosto, quando acaba o seu mandato como presidente da Colômbia. Gaviria se propôs ontem a iniciar "uma nova era nas relações hemisféricas", com ênfase na integração econômica, defendendo a criação de uma zona de livre comércio "que una os territórios do Alasca até a Patagônia" (FSP) (O Globo).