Os jovens brasileiros estão indo para a cama mais cedo. Nada a ver, contudo, com o saudável hábito de se recolher no início da noite. Estatísticas recentes informam que os adolescentes estão iniciando a vida sexual por volta dos 13 anos. Como consequ"ência, um milhão de adolescentes brasileiras se tornam mães todos os anos. E entre as que têm vida sexual, só 8% usam anticoncepcionais. Além disso, de todos os soropositivos do Brasil, 55% contraíram o vírus da AIDS na adolescência. As Organizações Não-Governamentais (ONGs) estão preocupadas em proteger do vírus da AIDS os 1.100 menores que dormem nas ruas do Rio de Janeiro (RJ). O projeto "Se essa rua fosse minha" é uma iniciativa de quatro delas: FASE (Federação dos Órgãos para a Assistência Social e Educacional), IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), IDAC (Instituto de Ação Cultural) e ISER (Instituto Superior de Estudos da Religião). Mas o "Se essa rua..." tem braços curtos. Atualmente, ele atende apenas 40 crianças no Centro, 40 no Leblon e 25 na casa do projeto, na Rua Alice, em Laranjeiras. Esses fazem atividades esportivas, acrobacias, desenho e capoeira. Os educadores estimulam o interesse da criança em mudar o tipo de vida,
78974 tentando um retorno à família ou o encaminhamento a uma instituição de
78974 acolhida. Também são encaminhadas para escola ou atendimento médico, explica Regene Brito Westphal, coordenadora do trabalho de rua do projeto. Também as crianças que estão nas escolas públicas estão sendo alvo da preocupação de educadores. O projeto "AIDS e a escola" nasceu em 1992, fruto de uma associação das Secretarias Estaduais de Saúde e de Educação, da Unidade Clínica do Adolescente (Hospital Pedro Ernesto) e da FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz), para capacitar professores a trabalhar com o tema AIDS nas escolas de segundo grau. Nas oficinas com os professores, foram desenvolvidos 22 projetos escritos
78974 pelos próprios professores, em cerca de 48 escolas que já participaram
78974 dos encontros. A principal dificuldade apontada para o trabalho foi a falta
78974 de informação (50,7%), informa a ginecologista Luísa Maria Figueira Cromack, que participa do projeto pela Secretaria Estadual de Saúde. Os números mostram com eloqu"ência o estado de indigência dos jovens brasileiros em relação à sexualidade. Precoces, eles estão desarmados para se defender dos riscos e responsabilidades que cercam a vida sexual. A escola se omite, a família se cala. Em matéria de educação sexual, os pais, quando muito, limitam-se a dar aos filhos leituras do tipo "De onde vêm os bebês". Isso nas classes mais esclarecidas. Nas outras é o silêncio. Por isso, há um consenso entre educadores: é preciso ampliar o debate sobre a sexualidade, seja na escola, seja na família (O Globo).