EMPRESAS PRESERVAM FLORESTAS NO PARÁ

O Pará tem dois milhões de hectares de floresta natural com preservação garantida até o próximo século. São áreas protegidas por dois dos chamados grandes projetos econômicos da região, o Serra dos Carajás, da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), e o Projeto Trombetas, da Mineração Rio do Norte. Os dois projetos foram iniciados na década de 70. O estado é o mais devastado da Amazônia. Um milhão e oitenta e dois mil hectares (11% da área total do Pará) foram desmatados. As áreas preservadas pelos grandes projetos protegem 1,7% do território paraense, o equivalente a 28 vezes o tamanho de Belém, a maior cidade da Amazônia, com 1,2 milhão de habitantes. Nessas áreas, estão localizados também dois dos maiores produtos da pauta de exportação do Pará, o minério de ferro, de Carajás, e a bauxita, de Trombetas. O secretário estadual do Meio Ambiente, Nélson Ribeiro, ex-ministro da Reforma Agrária, afirma que os grandes projetos tiveram de se adaptar às exigências nacionais e internacionais de preservação da Amazônia. "Foram obrigados a desenvolver projetos ambientais para atender às pressões ecológicas dos países desenvolvidos, onde estão seus clientes", afirma. A Companhia Siderúrgica do Pará (COSIPAR) vai inaugurar em maio a primeira central de carvão ecológico da Amazônia com a utilização de cocos de babaçu. Com a alternativa dos cocos de babaçu, a COSIPAR deixa de incentivar a destruição da floresta nativa: "Queremos carvão vegetal sem destruir a floresta", afirma o presidente da empresa, Luiz Carlos Monteiro. Em três anos, a empresa vai montar 12 centrais e empregar três mil pessoas para atender 60% do seu consumo anual (120 mil toneladas de carvão vegetal) (FSP).