CRISE NOS TRANSPORTES EMPERRA ECONOMIA DO PAÍS

Segundo o Ministério dos Transportes, o Brasil perdeu cerca de US$10 bilhões no último ano por causa da crise das estradas. O país está fora dos trilhos, ancorado num porto e parado no acostamento de uma estrada federal. O atual sistema de transporte está desmantelado. Como movimentar, por exemplo, os 73 milhões de toneladas de grãos da safra deste ano se os trechos de estradas em péssimo estado de conservação aumentaram 172,7% em cinco anos? O quadro não será diferente se o transporte for feito nos 22 mil quilômetros de ferrovias federais, uma vez que 36% estão em mau estado. Se esses problemas não bastassem, nos 35 portos públicos, o frete por tonelada é superior à taxa cobrada no exterior. O país optou pelas rodovias, por onde passam 70% da produção, deixou as ferrovias de lado, que movimentam precariamente 28% da produção nacional, e desprezou o sistema portuário, responsável pela circulação de apenas 2% das mercadorias. Agora busca soluções. A iniciativa privada aparece como uma saída. Se a economia continuar a crescer, teremos, na visão de especialistas, uma país condenado a lamentar a produção estragada por não ter como escoá-la. Os produtos chegam mais caros ao consumidor. Por ano, as rodovias registram 60 mil acidentes com cinco mil mortos, o que acarreta custo da ordem de US$1 bilhão. Apenas 1% dos 50 mil quilômetros de estradas federais foram pavimentadas nos últimos cinco anos. Grande parte do pavimento existente-- 85%-- foi feito há mais de 10 anos. Apenas 10% tem idade entre cinco e 10 anos. Em 1988, 29 mil quilômetros (58% do total) eram considerados bons. No ano passado, apenas 7,5 mil quilômetros (15%) apresentavam essa característica (O ESP).