MULHERES GANHAM INDENIZAÇÃO POR DANO CAUSADO POR SILICONE

Três grandes empresas norte-americanas celebraram um acordo para pagar US$3,75 bilhões a milhares de mulheres que afirmam terem sido seriamente prejudicadas pelo implante de próteses de silicone líquido no seio. Os laboratórios Dow Corning, Baxter International e Bristol-Myer Squibb concordaram em pagar a maior quantia já oferecida num único caso, envolvendo a confiabilidade de produtos na história dos EUA. Elas podem ou não aceitar a indenização, dependendo do tipo de problema que tiveram. De qualquer maneira, o anúncio marca o fim de amis de 18 meses de negociações. Uma das grandes vantagens do acordo é que as mulheres não precisarão provar relação causal entre a prótese e as doenças. Basta provarem que têm prótese e apresentarem atestado médico confirmando que sofrem de um dos problemas de saúde cobertos pelo acordo. Os processos sustentam que o silicone vazou da bolsa do implante e migrou para outras partes do corpo, causando doenças auto-imunes (em que o sistema de defesa do corpo humano se volta contra si próprio), incluindo esclerodermia, artrite e lupus. As próteses de silicone em mulheres tornaram-se um pesadelo jurídico para os seus fabricantes. Cerca de 12 mil processos foram movidos em todo o país e os laboratórios gastam milhões de dólares mensalmente para se defender na Justiça. Calcula-se que um milhão de pessoas tenham recebido próteses entre 1962 e 1992, quando a FDA (agência norte-americana que controla drogas e alimentos) proibiu o uso. O acordo com as mulheres pode ser anulado, porém, se grande número delas o rejeitar. Embora destaque que o laboratório Dow tem forte estratégia de defesa contra milhares de processos, seu vice-presidente executivo, Gary Anderson, acredita que "um acordo atende aos melhores interesses de todas as partes envolvidas" (JB).