REAL TERÁ TAXA DE CÂMBIO FIXA

O governo fixará a taxa de câmbio na entrada da terceira fase do plano econômico, afirmou ontem o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Winston Fritsch, que fez uma palestra, no Rio de Janeiro (RJ), em almoço que reuniu cerca de 50 empresários. O período de fixação da taxa não será previamente determinado, acrescentou. Segundo ele, o sistema serve não só para garantir credibilidade ao progrma (com isso fica estabelecida a paridade fixa do real com o dólar), mas também funciona como instrumento de política de combate à inflação (atrelados ao dólar, os preços em real tem menos probabilidade de subir). Durante o almoço, que foi fechado à imprensa, Fritsch disse aos empresários que o governo ainda não decidiu qual será a política monetária aplicada então. Sobre a fase atual, em entrevista, ele afirmou que o governo não deixa de se preocupar com a hipótese de a aceleração da inflação hoje vir a contaminar o real. Mas acrescentou que, ao que tudo indica, essa aceleração está se revertendo, e que a média dos três índices que servem para o cálculo da Unidade Real de Valor (URV) ficarão, em abril, no mesmo patamar dos dois maiores deste mês (IGP-M e IPCA-E). O secretário disse ainda que o principal instrumento para segurar a inflação hoje é a política monetária, através da contenção do crédito e do uso das taxas de juros. A taxa de câmbio fixa não assusta o mercado financeiro. Segundo gerentes de câmbio, o congelamento da taxa por algum período será importante para garantir a estabilidade da nova moeda. Mas alguns especialistas acreditam que poderá haver uma pequena margem de flutuação do câmbio, para que o Banco Central não tenha de comprar e vender dólares pela mesma cotação. A expectativa em torno do câmbio fixo já agitou o mercado. Ontem, o BC fez um leilão de venda de dólar comercial a CR$864,14, para tranquIlizar os bancos. No fim do dia, o dólar foi cotado a CR$864,071. No mercado de taxas flutuantes (dólar-turismo), o dólar fechou a CR$859,00. O mercado agora espera pela unificação efetiva das taxas (O Globo).