REAL SÓ VEM DEPOIS DE MAIO

O cruzeiro real será substituído pelo real em algum dia 1o., mas somente a partir de junho. Maio está descartado, segundo afirmou ontem o presidente do Banco Central, Pedro Malan. Ele acrescentou que a decisão sobre a data da troca da moeda depende da adesão da sociedade à Unidade Real de Valor (URV), do avanço da revisão constitucional e da assinatura do acordo da dívida externa com os bancos credores, prevista para 15 de abril. O presidente do BC lembrou também que o ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, assumiu compromisso de divulgar com 35 dias de antecedência a data em que o real entrará em vigor. Malan rejeitou as apostas feitas sobre a data de mudança. Lembrou que fracassou a idéia de que o governo faria a troca quando a paridade entre o dólar comercial e o cruzeiro estivesse em CR$1.000,00 por US$1,00, o que deve ocorrer em oito de abril. Em 1o. de junho, o próximo momento possível para ocorrer a troca de moeda, a cotação do dólar está projetada em CR$1.930,00. O presidente do Banco Central contou que o governo iniciou consultas informais a vários economistas para, neste período de transição, encontrar a melhor forma de garantir para a sociedade que o real terá seu valor preservado. "Há várias experiências no mundo e isso não está definido ainda", disse Malan. "Vamos definir regras de lastreamento e emissão do real". Dois serão os fatores que mais contribuirão para conferir credibilidade à nova moeda, ou seja, garantir que não haverá inflação no futuro. Para Malan, são eles a aprovação da reforma fiscal pelo Congresso Nacional e a criação de maior autonomia para o BC, que teria uma diretoria com mandatos fixos. "Sou o 11o. presidente do BC desde 1985, essa rotatividade é terrível para a credibilidade da moeda", afirmou (FSP) (JB).