A falta de uma política econômica consistente e equilibrada de
78942 desenvolvimento econômico tem sido responsável pela rápida degradação
78942 da infra-estrutura social básica do Brasil, como de resto, da maior parte
78942 dos países da América Latina. Isto talvez explique o fato de os
78942 empréstimos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) à iniciativa
78942 privada já corresponderem a 5% da carteira da instituição. O diagnóstico é do vice-diretor da Coordenação dos Programas de Pós- Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Carlos Alberto Cosenza, ao condenar a política restritiva e intervencionista praticada há anos pelo BID, em associação com o Fundo Monetário Internacional (FMI), nas economias dos países da região. Cabe ao Estado brasileiro o papel de estabelecer as linhas prioritárias
78942 de desenvolvimento do país, com respostas rápidas, ao invés de se
78942 limitar a seguir o receituário dos organismos internacionais, que se
78942 baseia tão-somente em políticas monetárias e fiscais, extremamente
78942 ortodoxas, criticou Cosenza, ao dar como exemplo a paralisação de diversas obras referentes ao setor energético, em virtude da falencia da capacidade de investimento do governo federal. Ele ressaltou que igualmente existem problemas de planejamento no contexto nacional, sobretudo quanto à formulação e elaboração das plantas industriais. Na sua avaliação, "é pouco importante aferir a correlação entre o volume de recursos financiados pelo BID ao Brasil em termos de seu Produto Interno Bruto (PIB), mas sim o que esses valores representam como alavancas do nível econômico efetivo do país". Ele considera também que a própria estimativa do PIB é pouco confiável, já que se refere à uma Nação com grandes desigualdades distributivas. Segundo Cosenza, pelo excesso de ingerência dos organismos financeiros inernacionais na economia brasileira-- acrescidos dos problemas de inabilidade administrativa interna--, tem-se o agravamento do desemprego e da queda da demanda por vários produtos. "Como resultantes desse quadro, torna-se cada vez mais difícil ao governo brasileiro explicar e justificar novos investimentos, das instituições financeiras internacionais, visto que o leque de opções se estreita", argumentou. Ao salientar a necessidade de o governo central se ater aos setores ligados ao bem-estar da sociedade, como saúde, educação e segurança, o vice- diretor da Coppe denunciou o que considera uma orquestração dos países ricos, que apostam na decadência econômica da América Latina, para depois transferir para essa região grandes plantas industriais de suas matrizes, devido às pressões de entidades ecológicas e das respectivas populações. Em outro enfoque, a pesquisadora do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), Maria Clara Couto Soares, entende que, ao contrário de Cosenza, o BID está consciente da necessidade de melhor gerenciamento dos recursos financiados aos países em desenvolvimento. Acredito que está havendo uma mudança de gestão do banco, que se
78942 preocupa em dotar de maior transparência suas informações a respeito dos
78942 investimentos, visando a maior participação da sociedade civil dos países
78942 contemplados pelo processo, analisa Maria Clara. A pesquisadora comenta que o Brasil apresenta um dos maiores índices de fracasso (44%) do mundo no que se refere a projetos financiados pelo BID, sendo a média internacional por volta de 38%. "A tendência de maior abertura das organizações financeiras internacionais foi precipitada pelo Banco Mundial (BIRD), no ano de 1992, na forma de uma reestruturação que está sendo seguida pelas demais instituições", disse. Ela acredita que a maior participação da iniciativa privada nos recursos do BID atende a um modelo mais liberalizante da instituição, de não se restringir apenas ao setor público (JC).