CONTRATAÇÃO DE JOVENS PREDOMINA NO PAÍS

O nível de emprego formal na economia ao longo do ano passado permaneceu praticamente estável, com um ligeiro crescimento de 154 mil postos de trabalho. Apesar de pequena, a diferença entre os 7,4 milhões de admissões e os 7,3 milhões de desligamentos foi responsável por uma alteração no perfil dos trabalhadores no país: enquanto entre os demitidos a predominância foi de trabalhadores dos setores da indústria e de serviços com faixa etária de 30 a 39 anos, o perfil dos contratados é bem mais jovem, de 18 a 24 anos, também dos mesmos setores. Os dados foram apresentados ontem pelo ministro do Trabalho, Walter Barelli, ao presidente Itamar Franco. Barelli foi levar ao presidente o "O Perfil do Trabalho no Brasil", que deverá orientar as políticas do governo para geração de emprego e renda. Os números foram levantados na economia formal ao longo de todo o ano. O ministro classificou o quadro de triste, perverso e "uma chaga" que tem de ser removida no ano nacional do emprego-- 1994. Segundo o documento, o perfil dos demitidos são homens com instrução entre a quarta e a oitava séries do primeiro grau, faixa etária de 30 a 39 anos, que ganhavam entre um e um salário-mínimo e meio, predominantemente nos setores de serviços e construção civil. A região que concentrou o maior movimento de admissões e desligamentos foi a Sudeste, com 4,6 milhões de admitidos e 4,5 milhões de demitidos, e saldo positivo de 70,7 mil novos postos. Em seguida vem a região Sul, com 1,47 milhão de desligamentos, o que resultaram em abertura de 47,1 mil novos postos. No perfil percebido pelo Ministério do Trabalho, o Estado de São Paulo foi o que concentrou o maior número de concessões de seguro-desemprego em todo o país em 1993, monopolizando 1,24 milhão de concessões de um total de 3,72 milhões. O custo total no país foi de US$1,5 bilhão. Na região Sudeste foram concedidos 2,1 milhões de pedidos de seguro-desemprego. O perfil básico dos segurados é de trabalhadores com idade de 30 a 39 anos do setor de serviços. Este também foi o perfil básico encontrado entre os segurados da região Sul, onde o número de concessões em 93 chegou a 650 mil. O documento do Ministério do Trabalho será entregue também ao presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA), dom Mauro Morelli, e ao articulador nacional da campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Segundo o ministro do Trabalho, o estudo vai servir de base para a Campanha de Geração de Empregos este ano. O que o governo quer é que cada município atenda os seus trabalhadores desempregados. Para isso, o Ministério do Trabalho vai cruzar as suas informações com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para poder caracterizar, para cada prefeitura, o seu perfil de emprego e desemprego (GM) (JC) (FSP).