A nova moeda, o real, não deverá entrar em circulação em abril nem em maio, garantiu ontem o presidente do Banco Central, Pedro Malan. O ideal, segundo ele, é que passe a vigorar a partir do dia 1o. de um determinado mês, mas não se sabe ainda se será junho. A data definitiva será anunciada pelo governo com pelo menos 35 dias de antecedência. Alarga-se, assim, o prazo de vigência da Unidade Real de Valor (URV) para além do período de dois meses previsto inicialmente pelo mercado. Isso tem implicações na administração desta fase de transição do plano econômico. Haverá mais tempo para que a sociedade faça sua adesão voluntária à URV e também para o governo ajustar alguns pontos que estão ainda sendo discutidos. Além da questão que envolve a conversão de salários do Poder Judiciário, o BC tem discutido com representantes do sistema financeiro formas que aliviem o impacto do artigo 36 da Medida Provisória 434, que prevê um expurgo da correção monetária nos contratos pós-fixados, no momento de emissão do real. Malan não nega que alguma inflação residual vá existir no primeiro mês de vigência do real-- "a queda da inflação não será imediata", diz ele- -, mas a área econômica procura administrar o plano com a preocupação de entrar na fase do real com a mínima transferência possível de índices de preços para a frente (GM).